Relatório de Impacto Ambiental da Rio Grande Mineração S.A. (Projeto Retiro)

Analise criticamente as notícias divulgadas, acesse o Cadastro de Ocorrências no site do IBAMA (http://www.ibama.gov.br/cadastro-ocorrencias) e manifeste sua posição sobre a atuação da Rio Grande Mineração S.A. em São José do Norte-RS.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Contraponto da TV FURG debate desastre ambiental praticado pela Samarco: "não foi acidente"

Após 103 dias (completados hoje) do desastre ambiental provocado pela Samarco, empresa controlada pela Vale e BHP Billiton, ainda não foi adotada nenhuma medida eficaz e efetiva, seja por tal mineradora, seja pelo Poder Público para, não falamos nem mitigar os impactos significativos do rompimento da barragem, mas sim frear o seu avanço.
O CEA participou do Programa Contraponto, da TV FURG, gravado em 24.11.15 e que foi ao ar em 07.12.15, destacando a responsabilidade legal de tal mineradora e o fato de que o rompimento da barragem que matou pessoas e parte da biodiversidade local, gerando gigantescos impactos sociais e danos ambientais irreversíveis, comentando sobre o papel do licenciamento ambiental nesse cenário.
MINERAÇÃO E TRAGÉDIAS EM MINAS GERAIS. ATÉ QUANDO ?

Minas Gerais tem o seu próprio nome ligado à mineração, atividade que durante o apogeu do ouro e do diamante sustentou, em boa parte, a economia de Portugal. Nos dias de hoje,  sem  a fartura de pedras e metais  preciosos, o minério de ferro é uma das bases  da economia do Estado.
Mas um lado funesto decorrente das atividades minerárias ao longo de mais de três séculos de exploração é ainda pouco conhecido: a perda de vidas humanas e a destruição do meio ambiente em episódios recorrentes na história do povo mineiro.
Tratando sobre a extração de ouro no Morro de Pascoal da Silva, em Vila Rica, em 1717, o Conde de Assumar deixou registrado em seu diário que os negros faziam “huns buracos mui profundos aonde se metem, e pouco a pouco vão tirando a terra para a lavar; porém esta sorte de tirar ouro he mui arriscado, porque sucede muitas vezes cahir a terra e apanhar os negros debayxo deitando-os enterrados vivos”.
O Barão de Langsdorff, ao percorrer região de Mariana em 1824, registrou: “passamos por um vale pobre e árido, por onde ocorre o rio São José, turvo pela lavação do ouro e em cujas margens se veem montes de cascalhos, alguns até já cobertos de capim. É difícil imaginar uma visão mais triste do que a deste vale, outrora tão rico em ouro”
Em meados de 1844, na Mina de Cata Branca, município de Itabirito, à época  alvo da exploração aurífera  por uma empresa britânica, houve o desabamento da galeria explorada e soterramento de dezenas de operários escravos. Segundo os registros,  dias depois do acidente ainda eram ouvidas vozes e gemidos dos negros em meio aos escombros.  Ante a dificuldade de resgate, foi tomada a decisão de se desviar um curso d’água para inundar a mina, matando os pobres trabalhadores sobreviventes afogados, ao invés de espera-los morrer de fome.
Sobre o fato, José Pedro Xavier da Veiga deixou registrado nas suas célebres Efemérides Mineiras: “E lá estão enterradas naquele gigantesco túmulo da rocha as centenas de mineiros infelizes, que encontraram a morte perfurando as entranhas da terra para lhe aproveitar os tesouros. A mina conserva escancarada para o espaço uma boca enorme rodeada de rochas negras e como que aberta numa contorção de agonia”.
Em 21 de novembro de 1867, na Mina de Morro Velho, em Nova Lima, um desabamento matou dezessete escravos e um trabalhador inglês. Dezenove anos mais tarde, em 10 de novembro de 1886, a história se repetiu em Morro Velho.
Mais recentemente, rompimentos de barragens nas minas de Fernandinho (1986) e Herculano (2014), em Itabirito;  Rio Verde (2001), no Distrito de Macacos, em Nova Lima; e da Mineração Rio Pomba (2008), em Miraí, redundaram em dezenas de outras mortes e prejuízos irreversíveis ao meio ambiente.
No último dia 05 de novembro de 2015, em Mariana, o rompimento de duas barragens da empresa Samarco soterrou quase integralmente o Distrito de Bento Rodrigues, ceifou vidas, destruiu dezenas de bens culturais e danificou de forma severa os recursos ambientais  de vasta extensão da Bacia do Rio Doce.
Todos sabem que a história é mestra da vida e os fatos adversos  por ela registrados devem servir de alerta para o futuro, para que os erros não sejam repetidos.
O aprendizado com os equívocos de antanho deveria impor ao setor minerário da atualidade uma completa mudança de paradigmas. Afinal, temos condições de sermos  autores da nossa própria história e não podemos admitir a repetição reiterada desses desastres como algo normal, inerente às atividades econômicas de Minas Gerais.
Entretanto, percebemos que ainda se avultam as inconsequentes condutas induzidas pela ambição do lucro fácil e pelo desdém aos direitos alheios, não raras vezes secundadas pela omissão ou incompetência de autoridades públicas responsáveis pelos processos de licenciamento ambiental, que se contentam com a adoção de tecnologias ultrapassadas em empreendimentos de alto risco, que raramente são fiscalizados.
A anunciada flexibilização do licenciamento ambiental pelo Governo de Minas, com o nítido propósito de beneficiar, entre outros, o seguimento dos empreendimentos de mineração,  segue na contramão do que a sociedade  mineira espera e precisa:  segurança e respeito aos seus direitos.
É hora de dizer um basta.

By Marcos Paulo de Souza Miranda
Coordenadorda Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Fonte: http://www.observatoriodosconflitosrs.blogspot.com.br/2015/11/mineracao-e-tragedias-em-minas-gerais.html

quinta-feira, 3 de março de 2016

Fórum de Comunidades Tradicionais discute práticas sustentáveis e justiça ambiental em São José do Norte

Na sexta-feira passada, 19.06.15, estiveram reunidos no Salão do Ministério Público Estadual (MPE) de São José do Norte/RS integrantes de comunidades tradicionais, representantes do poder público, de organizações não-governamentais e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), assim como pessoas interessadas nas discussões ambientais do município e região, participando do Fórum de Comunidades Tradicionais, organizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, dentro da programação do chamando Junho Ambiental.
Durante os depoimentos e rodadas de debates, ficou clara a posição das Comunidades frente ao avanço atual dos interesses de grandes empreendimentos impactantes/poluidores em seus territórios, ameaçando seus modos de vida tradicionais e a integridade dos mesmos, para as atuais e futuras gerações de nortenses. A preocupação, especificamente com a instalação das atividades da mineradora RGM, chamado Projeto Retiro, dos membros das comunidades foi a carência dos princípios de justiça ambiental, desconsiderando a posição dos habitantes locais como fator relevante para a instalação da obra e/ou atividade econômica.
A preocupação com a sustentabilidade da restinga embasou os depoimentos da representante do Grupo Agroecológico Nortense, que leu um manifesto repudiando tal atividade mineradora, como sendo totalmente avesso às práticas agroecológicas propostas pelo grupo, da comunidade dos Quilombolas do Capão do Meio, da Comunidade e Associação do Retiro (diretamente afetada durante o início da exploração do minério), da Associação de Pescadores e Agricultores Raízes da Terra do Retovado, da Associação dos Agricultores do São Caetano, da Associação dos Agricultores do Tesoureiro e da Colônia de Pescadores Z2.
Das discussões realizadas salientou-se a necessidade do Executivo Municipal reiterar oficialmente seu apoio ao posicionamento das comunidades do município em recusa à mineradora, defendendo o presente e o futuro dos grupos tradicionais nortenses, suas atividades e sustentabilidade, bem como que se realizem atividades que estimulem a permanência e reprodução das práticas desses grupos do interior.
Os resultados, considerados positivos por todos presentes, apontaram para a necessidade da realização de outros encontros neste sentido e para a redação de um documento conjunto assinado pelas comunidades tradicionais, instituições e pessoas que apoiam o movimento ecológico, bem como pelo Executivo municipal.
Ainda estiveram presentes e colaborando com as discussões Luciano Mello, oceanólogo e especialista em comunidades tradicionais, Raizza Lopes e Gianpaolo Adomilli representando a FURG, e representantes da Emater.

Fonte: http://ongcea.eco.br/?p=41857

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Notícias de São José do Norte sobre a mineração

Projeto de mineração pauta reunião entre Executivo e investidores

O andamento do processo de licenciamento ambiental do projeto de extração mineral previsto para São José do Norte foi pauta de reunião entre o prefeito Jorge Madruga e o presidente da empresa Rio Grande Mineração (RGM), Luiz Augusto Bizzi, na tarde de ontem (25/11/2015).
Durante a conversa, que contou com a participação dos secretários de Administração (SMA), Coordenação e Planejamento (SMCP), Fazenda (SMF), Meio Ambiente (SMMA) e dos técnicos da RGM, Ricardo Flores e Aureliano Nóbrega, foram destacados alguns aspectos do projeto, como a diversificação da economia local, a solidez e a sustentabilidade do investimento, cuja vida útil estimada é de 40 anos – o que poderia equilibrar os chamados períodos de “ressaca” na economia.
 O prefeito Jorge Madruga colocou-se à disposição da empresa para subsidiar com informações relacionadas ao licenciamento, e falou sobre o trabalho do Executivo na atração de investimentos também na energia eólica e no setor moveleiro. Já o titular da SMA, Danúbio Roig, salientou o trabalho da Comissão Especial para alavancar a arrecadação do Município.
A análise de técnicos do Ibama no local designado para o empreendimento foi realizada ontem e aumentou a expectativa pela emissão da Licença Prévia (LP). De acordo com Bizzi, a RGM mantém firme o propósito de se instalar aqui, pois acredita que poderá contribuir para o desenvolvimento sustentável de São José do Norte. E garantiu que “com a emissão da LP, a empresa retomará as atividades em pleno vapor”.

Quais os interesses que interessam?

Por Caio Floriano dos Santos – Cidadão Brasileiro. Pesquisador do Observatório dos Conflitos do Extremo Sul do Brasil (FURG).

Faz alguns meses li a manifestação intitulada “Eu vi o horror e vos acuso!”, da Profa. Andréa Zhouri (GESTA/UFMG), sobre o “simulacro de democracia” realizado para a concessão da Licença de Operação “para a criminosa empresa mineradora da África do Sul, Anglo American”. Ao ler o texto fiquei chocado e impactado, apesar de considerar as Audiências Públicas um “circo” onde o “espetáculo” já tem um roteiro e um final previsível que é a concessão das licenças ambientais, salve algumas exceções.

Porém, após participar das Audiências Públicas (03 e 04/12/2014 nos municípios de Rio Grande e São José do Norte/RS, respectivamente) para a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental – EIA do Projeto Retiro (Exploração de Titânio e Zircônio), da empresa Rio Grande Mineração – RGM, no município de São José do Norte/RS, o texto fez ainda mais sentido. Principalmente pelo “ritual macabro de tortura psicológica e emocional”, onde o que estava em discussão não era a análise do projeto e seus reais impactos sobre a vida daquelas comunidades, mas sim apenas um jogo de cena entre diversos interesses econômicos para o mesmo território, por mais que aquela população gritasse e se posicionasse contra.
O que se viu foram cenas de total desrespeito com a população que se fazia presente buscando se manifestar, muitos não queriam saber dos interesses e as brigas travadas entre diferentes projetos econômicos (reflorestamento de Pinus (já consolidado no município), Mineração (Titânio e Zircônio) e Projetos Eólicos), mas apenas saber qual seriam os impactos sobre as suas terras e suas pequenas lavouras, muitas delas para subsistência como relatado. Mas por qual motivo deveria o Estado se preocupar com isso, não é mesmo?

Mas, certamente, um dos fatos que mais me impressionou foi a “arrogância do saber”, onde os títulos acadêmicos (o saber como poder para poder falar) eram usados a todo momento para desqualificar as manifestação contrárias ao projeto de mineração, colocando aquele saber empregado para a elaboração do EIA como único e consolidado, ou seja, o saber técnico-científico como uma verdade absoluta. Desqualificação essa que contou com a anuência do IBAMA ao não repreender o empreendedor e sua consultoria, não cumprindo com sua função naquela Audiência Pública. Esse tipo de situação chegou a ser repreendida pela Procuradora Federal da República, Anelise Becker, durante a primeira Audiência, lembrando ao representante do IBAMA (presidente das Audiências) que deveria cumprir seu papel de mediador e evitar qualquer desrespeito por parte do empreendedor com os presentes,  mas pouco pareceu adiantar.

Isso fez com que a população continuasse “escanteada” no seu direito de manifestação, restringindo suas falas e a exposição do seu conhecimento sobre a localidade, mas certamente essa arrogância não conseguiu calar totalmente a população presente, que da sua forma deixou claro todos os problemas e impactos socioambientais negativos do projeto, e gritou ainda mais alto para que se reconheça o direito de permanecer em suas terras e a garantia do seu modo de vida.

A pergunta que fica é: Quem garantirá o direito dessa população de permanecer em suas terras e manter seus modos de vida? O certo é que outras lutas ainda estão por vir e há ainda muito o que se gritar!

Texto disponível em: http://ongcea.eco.br/?p=41317

Síntese esquemática da economia nortense

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In Dubio Pro Natura

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Mineração II- I

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Mineração II- II

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